Nos tropeços da vida, me encontro nas palavras. Chuto-as de raiva, mas corro pra buscá-las, elas me completam.
Não busco sentimento de pena, apenas refugiar-me no que eu nunca pude realmente dizer...

Preto-e-branco colorido

Por que eu preciso passar pela humilhação comigo mesmo e ficar me sentindo um ponto fora da curva, uma peça errada no tabuleiro, sempre um erro, um erro, um erro? Por que eu tenho que me sentir mal por algo que nem chegou a acontecer?
Um choro doce que eu mesmo plantei e destruí pela falta de alguém que possa regar comigo… a terra cansa e pode se tornar inútil um dia.
Essa coisa de “esperança é a última que morre” não existe. Dar esperança é dar chance pro azar, dar motivo pra se machucar. É deprimente.
Vai contra meus sorrisos, um tanto forçados, dizer que as pessoas são complexas e complicadas.
Sempre acreditei e acredito no amor e na amizade, mas depois de tanta decepção causada pela esperança, esse colorido da vida sumiu e se tornou apenas preto e branco.
É assim que devo ser, que devo ver, que devo viver? Preto e branco, sem dar abertura pro sentimento? A razão tem lá suas razões né.
“Passio” ou paixão significa sofrer por aquilo e querer lutar. É um erro crasso! E eu ainda insisto em martelar em prego enferrujado e torto…
A cada sorriso enviado de coração, uma pisoteada recebida em troca. É, cansa a alma.

"Mentemorfose"

De vez em quando tentamos palavrar a alma… sabe qual é a sensação, né?

Ode à essência. Tormentos como esse me perseguem durante os luares, procurando descobrir de onde é que vem a manifestação vital. 
Por que não consigo definir a vida em um único verbo?

Não consigo nem definir a mim mesmo, já que sou uma metamorfose pensante, uma constante inconstância, aquela pertinência de que agora já não sou mais o que fui e nem o que serei.

Vomito estranhezas, excentricidades, singularidade. O desajuste se dá através da ordem, o caos é uma consequência. A concepção de tempo é apenas uma falsa explicação para a mudança.
Meus desejos, criações, vontades, ideias, gostos, amores, ânsias, ilusões. São traduções do que se passa na minha mente. Confusa, difusa, angustiada. Mas, de repente, umas poucas ideias se fixam, formam o que eu fui quando elas apareceram. E duraram. E me mudaram.
Venhamos, então, a ter ‘mentemorfoses’, assim como os ares têm suas curiosidades e novidades, venhamos a ter um hábito pela diferença, dos incessantes movimentos e oscilações dentro de nossas cabeças. Sou viciado em alomorfias.

E, por fim, o que eu sou?
"Eu sou uma pergunta."

Cu

Quando a gente não se ocupa, a gente se culpa

e a culminação é cultivada e colhida…

os cúmulos entre túmulos e curiosidades

apenas nos cunham ideias cultas

enfim, cozer a vida é um cu